O Acordo Ortográfico versus a Reforma da Administração Local

As regras ortográficas de escrever corretamente em português, sinceramente é algo que não desperta em mim grandes paixões.

 

É assunto que em condições normais deixei, deixo e deixarei aos linguistas esse trabalho.

 

O meu principio sobre isto é que, de uma forma mais natural ou mais artificial, a nossa língua, que existe praticamente desde a nossa nacionalidade, primeiramente em comum com o Galego ou Galaico e gradualmente individualizando-se, e que foi sendo enriquecida com a expansão portuguesa, foi evoluindo ao ponto de hoje ninguém escrever como o D. Dinis escreveu as “Cantigas de Amigo”, ou o Camões escreveu “Os Lusíadas”, ou mesmo até o Fernando Pessoa escreveu a “Mensagem” e no entanto são tudo textos literários escritos em Português.

 

Por isso confesso que não conheço este novo acordo na totalidade, mas sempre esperei com naturalidade que entrasse em vigor e, com mais ou menos erros, tenho procurado adaptar-me e até não me tem custado, devo confessar.

 

No entanto, venho deixar aqui a minha posição, porque sinceramente lamento, que à boa maneira portuguesa, durante cerca de 20 anos, poucos se preocuparam com isto, que (penso não estar errado) já faz hoje um ano que foi decretado pelo governo português que os documentos oficiais passariam a ser obrigatoriamente escritos pelas novas normas em 1 de Janeiro de 2012, que as escolas e manuais escolares já estejam a adotar as novas regras e que agora, já com tudo isto a funcionar desta forma, se volte a questionar e a querer voltar às normas antigas.

 

Sinceramente assim não acredito que vamos lá!

 

Infelizmente isto acontece muito em Portugal e (agora vou chegar ao assunto que me trás aqui) tenho muito receio que neste momento se esteja a passar com a Reforma da Administração Local, o mesmo que se passou com o novo Acordo Ortográfico, ou seja, na altura própria ninguém, ou muito poucos, se preocuparam e depois de tudo aprovado, “ai Jesus que só agora demos por ela”.

 

Este assunto da, vamos falar claro para todos entendermos, “morte” por decreto de muitas centenas ou talvez perto de 2 milhares de freguesias, está a acontecer agora, neste momento e praticamente ninguém está a ligar ao assunto!

 

A nossa organização administrativa local, ao contrário da língua que está em constante modificação, muito pouco mudou em mais de 150 anos, e agora, não com uma discussão durante vários anos, mas ao contrário com uma imposição de ter de estar pronta em pouco mais de 6 meses, está a passar completamente ao lado dos cidadãos portugueses!

 

Em Julho próximo, sem que muitos tenham pensado no assunto, sem que muitos tenham dado por ela, a sua (esperemos que não a nossa, mas nesta altura tudo pode acontecer) freguesia é capaz de já não existir, ou melhor existirá só o nome, nada mais, pois sob a capa da poupança, sob a demagogia de que é preciso acabar com as despesas sumptuosas das Juntas (que não passam de migalhas comparando com outras despesas do Estado), com os ordenados dos Presidentes de Junta (a maioria não ganham nada), sob a propaganda de que temos de reformar e modernizar o país, uma lei feita para apenas agradar e “dar a volta” à Troika, com regras definidas tipo “régua e esquadro”, fundiu, agregou, chamem-lhe  o que quiserem, mas o que verdadeiramente terá feito, será acabar com muitas das freguesias portuguesas, numa reforma precipitada, incompleta (onde estão as Regiões Administrativas?), desfazendo em poucos meses e sem verdadeiramente se medir os resultados e as consequências, uma estrutura e organização do estado ao nivel local e mais próxima dos cidadãos.

 

Por isso deixo aqui esta pergunta, será que só depois de passar o mês de Julho, depois de tudo aprovado, se vai começar a discutir a Reforma Administrativa, como agora, quanto a mim já fora do tempo, se está a discutir o Acordo Ortográfico?

 

Pela minha parte isso não vai acontecer e como já disse antes, quer aqui, quer noutros lugares onde possa intervir, vou continuar, enquanto isso for possível e não depois, a defender a razão de continuar a existir a freguesia de Avintes.

 

Mas todos sem exceção somos precisos e necessários na defesa da nossa terra, agora!

publicado por Cip Castro às 18:58 | comentar | favorito